Publicado por: Profª Evelyne | Novembro 14, 2009

A perda de um sonho

Lembro-me quando era mais nova gostar bastante de ballet. E ainda hoje gosto. Mas, aos treze anos, aconteceu-me o que eu mais receava. Fiz uma rotura no tornozelo. Recordo-me daquele dia como se tivesse sido ontem…

BailarinaEstava muito bem, feliz da vida, no estúdio com as minhas colegas a fazer o exercício de aquecimento, quando sem querer, coloquei mal a posição do meu pé e ouvi uma coisa a estalar. Caí. Durante alguns segundos fiquei sem perceber o que se tinha passado. Só depois é que senti a dor no meu tornozelo. Gritei devido à dor que estava a sentir. Num abrir e fechar de olhos já estava toda a gente à minha roda. Umas a tentar acalmar-me, outras a gritarem ordens para ir buscar gelo e ainda outras já com os telemóveis na mão…

Ainda não tinham passado dez minutos já a ambulância tinha chegado. Levaram-me para o hospital. A minha mãe foi ter comigo à sala de espera. Enquanto esperava pelo resultado do raio-X, trouxeram-me gelo. Falava com a minha mãe sobre o que podia acontecer, se ainda poderia continuar o ballet ou não…

– Se for grave, o mais certo é não poderes continuar no ballet… – Dizia a minha mãe.

Quando a ouvi dizer aquilo, os olhos começaram-me a arder e as lágrimas começaram a escorrer-me pela face. Escondi a cara no meu ombro. Não queria que ela me visse a chorar. De repente, senti a minha mãe demasiado rígida. Levantei a cabeça e vi o médico à nossa frente com um envelope A3 na mão.

– Já tenho aqui os resultados do raio-X. Se não se importam, façam o favor de me seguir. Dizia o médico todo cheio de pressa.

A minha mãe ajudou-me a levantar da cadeira e assim seguimos o médico. Jáballet dentro do seu consultório, o homem tirou os resultados e colocou-os na parede luminosa. Assustei-me quando vi aquilo. Quase que parecia que tinha o pé dividido em dois!

– Como podes ver, o teu pé está em mau estado. Tens uma rotura no tornozelo… – dizia-nos o médico muito concentrado na imagem. – Não te vou dizer que não é grave porque te estaria a mentir. A verdade é que é mesmo grave. Podes até voltar a não fazer ballet na vida…

Ainda estava a tentar interiorizar bem as palavras, mas estava incapaz de o fazer. Melhor… Não o queria fazer!

Passadas várias semanas na fisioterapia, aquilo já não me doía tanto e já conseguia andar sem muletas. Mas o fisioterapeuta avisou-me que já não poderia fazer mais ballet na minha vida. Já me tinha habituado à ideia. Talvez um dia pudesse abrir o meu próprio estúdio e eu mesma dar aulas. Mas a partir dali, teria de me dedicar só e apenas aos estudo.

Débora, 9ºD


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